Fechei os olhos e suspirei.
Pesava demais o que era
pra ser leve.
Eu estava desistindo.
- Vanusa Macedo
Fechei os olhos e suspirei.
Pesava demais o que era
pra ser leve.
Eu estava desistindo.
- Vanusa Macedo
e de repente
não havia mais nada para ser dito.
o silêncio,
é o fim.
céu de júpiter
se bukowski a conhecesse, no livro mulheres não haveria plural.
seria sobre ela, exclusivamente, sobre ela.
a tua partida seria tão dolorosa, que tim maia, não cantaria sobre.
porque quando alguém assim parte, parte que fica, morre.
a tua ausência faz parecer os sofrimentos do jovem werther,
o ápice da felicidade.seu jorge se arrependeria, após uma noite em claro,
e se recusaria a compor “quem não quer sou eu”.
caetano teria sorte de se imaginar com ela somente às vezes no silêncio da noite.
por que você não cola em mim? diria.
os pedaços que restassem, não colariam jamais.com você, eu sumiria igual belchior.
e por você, belchior não sumiria.
djavan compreenderia, porque sem você, todo dia é frio.
ao te conhecer, criolo perceberia que sp transborda amor.você é a falta que domingos sentia de um bem.
é a insônia de jorge ben jor.
o tempo não para, cazuza cantou uma vez.
com você, ele entenderia que, o tempo não passa.
o tempo não existe, os ponteiros não correm, e toda eternidade é pouca,
quando se trata de você.teu jeito me faz entender que, você é o ela de cada escritor.
o ela de todo compositor.
o ela de cada poeta, de todo poema, dona de cada verso.você é o ela de todo romance.
“Você é um idiota, sim é isso o que você é, você não me leva a sério, faz graça ate das desgraças e diz que temos rir da vida. Você é um tolo , eu não consigo seguir a tua frequência, não consigo acompanhar os teus passos e sinto que estou só rodando em círculos das incertezas que você me dá. Quando eu falo sério, você ri, quando você fala sério eu levo pelo lado da ironia, porque eu nunca sei o que você tem pra esconder. Você é um cretino, sabe que me tem em suas mãos e me faz rir alto com as tuas idiotices, você me faz de fantoche nesse espetáculo sem graça e sem sintonia. Você é incapaz de ter algum sentido. E eu tento disfarçar, fingo que nem ligo, mas quando na verdade só queria que você parasse por um minuto e tentasse decifrar o que meus olhos querem te dizer. Só que, pelo menos uma vez você me desse a certeza, se eu devo insistir ou desistir de te ganhar de vez.”— É ele, quem eu quero. (via manuscritto)
você não compreende metade das coisas sobre as quais eu disserto sem parar. mas é bonita a forma como você se aquieta e fica atento ao meu quase que incompreensível discurso futurista. a sua pupila dilata enquanto você se intriga com a minha fome de tudo sem entender como essa minha intensidade consegue ao mesmo tempo ser tão profunda e sutil. eu ainda quero mapear todo o seu território pra descobrir todas as coisas que se escondem por trás do teu meio sorriso ou dos teus diálogos de poucas palavras. eu ainda quero desvendar os teus silêncios e enxergar além dos teus olhos que atravessam a noite e se infiltram em mim. mesmo sabendo que no fundo você ri dessa minha esperança em encontrar um pouco de beleza em tudo e sentir com cada mínimo átomo meu. talvez você não entenda os detalhes impenetráveis por trás das minhas paredes e mesmo assim tente adentrá-las na expectativa de me desmistificar, pensando que tudo não passa de um mero ato de uma dessas cenas que eu crio na minha cabeça e insisto em te contar mesmo sabendo que você não compreenderia. por isso talvez eu esteja desistindo de tentar te explicar sobre a sensibilidade amena e desenfreada que sempre me impulsiona a buscar soluções que curem um mundo terrivelmente doente que eu não posso alcançar sozinha. ou talvez tudo que eu tenha te contado sobre a minha curiosidade de tudo que habita e permeia esse universo cheio de suposições e verdades, te permita ir embora mas te obrigue a decorar o caminho de volta pro meu abraço. porque eu sempre torço pra que você encontre algo em mim pra gostar, mesmo que isso seja intocável, porque o invisível sempre me encanta. e que você se esforce pra entender a minha poesia desconexa porque lembro de te ouvir dizer que não gosta de mistérios e eu não quero ser uma incógnita pra você.
(eu te arquivo na minha memória, como quem esconde de si uma fotografia antiga que não deseja mais recordar, mas que o tempo sempre traz a tona)
“Tive um vizinho que gritava com a namorada ao telefone, sem se importar que o prédio inteiro ouvisse: “Não sei o que fazer! Fico mal contigo e fico mal sentigo!”. Sempre achei essa situação desoladora, e nem estou falando do português do sujeito. É duro ter apenas duas alternativas (ficar ou ir embora) e ambas serem terríveis.”— Martha Medeiros (via promessasvazias)
Eu não quero resposta. Não mais. Não quero que você volte atrás, nem quero que diga que se arrependa. Não tem nada mais para ser dito e nem discutido. Você pediu por isso, insistiu por isso, implorou por isso. Pra que eu desistisse, pra que eu fosse embora. No seu lugar, eu também não teria insistido muito. Mais no meu lugar, qualquer um teria desistido. Eu fiquei do seu lado, eu me importei quando ninguém se importava. Eu entendi a sua tristeza, eu compreendi o seu silêncio. Eu entendi tudo. Eu me coloquei em segundo lugar, só pra deixar você em primeiro. Eu passei a amar menos as pessoas, pra poder te amar mais. E em todo lugar que eu ia, eu queria estar com você. Eu deixei todas as pessoas do mundo por você. Porque eu achava que você valia mais do que todas as pessoas do mundo juntas. Eu achava que você era tudo. Mas olha so agora, olhe hoje por exemplo. Eu não quero nem resposta. Não quero mais nada, nem exijo mais nada. De todas as coisas do mundo, eu só queria que tivesse me entendido. Queria que tivesse ficado sabe? Queria que você não tivesse desistido, e que não tivesse me obrigado a desistir também. Eu queria muita coisa. Eu quis muita coisa. Hoje não, hoje eu não quero nada. Não quero mais.